Maria Teodora Voiron

Maria Teodora Voiron

Biografia Veneravel Maria Teodora Voiron

Madre Maria Teodora nasceu em Chambéry, França, a 6 de abril de 1835, tendo recebido no batismo o nome de Luiza Josefina. Seus pais, Claude Voiron e Catherine Héritier Voiron, eram muito virtuosos. Sua piedosa mãe lhe imprimiu profundamente, no coração, os princípios da fé, o horror à duplicidade, o amor ao trabalho e a caridade para com os pobres, virtudes que caracterizaram sua vida. Com ela aprendeu as primeiras letras, a costurar e preparar enxovais para as famílias pobres.
Luiza Josefina recebeu a primeira comunhão aos 9 anos, cedo para a época, mas uma exceção feita pelo pároco devido aos seus conhecimentos do catecismo. O bom padre, Cônego Mercier, prevendo sua vocação religiosa, a iniciou na prática da oração diária e autorizou a comunhão freqüente.
Sua mãe faleceu aos 30 anos de idade, três meses após o quinto parto. Luiza tinha 10 anos, e teve que assumir as responsabilidades da casa. Junto com os irmãozinhos foi ajoelhar-se aos pés de Nossa Senhora, suplicando-lhe forças nessa hora tão difícil. A menina se desdobrava entre os estudos, as tarefas domésticas e o cuidado dos irmãos menores.
Após as segundas núpcias do pai, decide ingressar na vida religiosa, mas sofre por ter que deixar seus irmãozinhos, sobretudo a caçula Alexandrina, a quem serviu de mãe. Aos 15 anos, recebeu várias propostas de casamento, mas pediu e obteve a admissão no Noviciado das Irmãs de São José, em sua cidade natal. Iniciou o noviciado aos 17, em outubro de 1852, e no dia 2 de fevereiro seguinte recebeu o hábito e o nome de Irmã Maria Teodora. Aí se distinguiu na prática de todas as virtudes, sobretudo quando se ofereceu para tratar dos doentes, durante a epidemia de cólera morbus em 1854.
No Brasil, Dom Antônio Joaquim de Mello, bispo de São Paulo, ituano, desejava ter um colégio para a educação das famílias paulistas. Em 1958 mandou buscar em Chambéry, algumas irmãs da Congregação de São José, para a fundação do Colégio Nossa Senhora do Patrocínio. Após a partida do primeiro grupo de 7 irmãs, Ir. Maria Teodora pressente seu futuro envio, e oferece-se ao Senhor. Ouve claramente suas palavras: “Acolhi teus desejos, o Brasil será teu campo de batalha; lá é que eu quero teu espírito, teu coração, teu corpo!”[1] A irmã enviada como superiora falece de gripe a dois dias da chegada no Rio de Janeiro. As irmãs escrevem para a superiora geral e pedem nova superiora e mais uma irmã. Foi assim que Madre Teodora, contando apenas 23 anos, foi enviada como missionária para o Brasil. A perigosa viagem em veleiro durava cerca de 40 dias. No perigo iminente de um naufrágio, próximo a Cabo Frio, RJ, ela se ofereceu a Deus como vítima para que o navio não afundasse. Após a chegada em Santos, a subida para São Paulo foi feita em liteiras carregadas por mulas! Chegando em Itu, em 1859, assumiu a fundação do Colégio Nossa Senhora do Patrocínio, que logo iniciou suas atividades. O bispo inicialmente se espantou com sua aparência tão jovem, e só depois de 4 meses, convencido de suas qualidades como superiora, a confirmou no cargo.
A jovem superiora sofreu nos primeiros anos. Passou por dificuldades financeiras, diversidade de clima, de alimentação, etc., que todas as missionárias conhecem. Seus sofrimentos morais foram muito maiores: a incompreensão e a divergência de opinião entre seus superiores do Brasil e sua superiora da França fizeram surgir dúvidas na Madre Geral. Suportou essas desconfianças com humildade, caridade e prudência verdadeiramente heróicas. Em 1866, viajou à França para dissipar desentendimentos com o governo geral da congregação. Adoeceu na viagem e chegou a Chambery em tal estado, que uma das superioras exclamava que ela parecia um crucifixo! Volta de lá com novas missionárias, entre elas sua irmã de sangue Maria, que também entrou para a congregação. Um dia também seu irmão, Padre Carlos, viria para o Brasil e seria capelão no Colégio do Patrocínio.
Em 1871, o conselho geral da congregação, reunido em Chambery, escolheu Me. Teodora como primeira Superiora Provincial.
Grande foi a obra conduzida por Me. Teodora e suas abnegadas irmãs. Nesse tempo, não havia no Estado de São Paulo internatos para a educação das jovens. Madre Teodora fundou-os na pobreza; depois, pouco a pouco eles vieram a ser os Colégios que deram ao Brasil mulheres fortes, instruídas, bem formadas e profundamente cristãs. Estudavam nos internatos desde pensionistas de famílias abastadas e influentes, até aquelas que nada podiam pagar. A educação era primorosa, exigente. E Madre Teodora tinha um carinho todo especial pelos externatos criados para as crianças pobres: as filhas das escravas, as órfãs. E não só no campo da educação trabalharam as irmãs: foram inúmeras obras como enfermagem em hospitais, asilos para velhos e crianças abandonadas, leprosários.
Entre muitas qualidades, Me. Teodora tinha o dom do conselho. Quem conversava intimamente com ela sentia que adivinhava o que mais convinha no momento. Conhecia os segredos do coração e sabia mitigar as aflições alheias. Atuou 60 anos como superiora, e não poucas vezes suas profecias se realizaram. Certa vez, ao receber novas religiosas chegadas da França, em 1890, entre elas estava Irmã Josefina d’Anunciação Gex, professora de 22 anos. Me. Teodora disse: “Quem sabe se Chambéry não me está enviando, nesta jovem religiosa, uma futura auxiliar, ou quiçá, minha substituta!”[2]. Assim foi. Cerca de 13 anos depois, ela se tornou sua Assistente Provincial, e em 1921, sua sucessora.
Em 1919, festejaram-se os 60 anos de sua chegada ao Brasil e fundação do Colégio do Patrocínio. A Madre disse: “Estão me preparando festas, e Jesus me prepara a cruz”. Antevia os sofrimentos da imobilidade de seus últimos 5 anos de vida. Na sexta-feira santa do ano seguinte sofreu uma queda, e ao recobrar os sentidos disse: “Meu Deus, seja feita a Vossa Vontade”. Havia fraturado o fêmur. A partir daí, a cadeira de rodas foi seu único meio de locomoção.
Em 1921, aos 86 anos, após muita insistência sua, obteve demissão do seu cargo de Provincial. Mergulhou-se então no silêncio e na humildade, unindo seus sofrimentos aos de Nosso Senhor. A 17 de julho de 1925 morreu piedosamente, confortada com os sacramentos.

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